Programação promovida pela Semtras reuniu autoridades, forças de segurança e sociedade civil para ampliar a conscientização, orientar mulheres e fortalecer o enfrentamento à violência

Com o tema “Conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher”, a Prefeitura de Mojuí dos Campos, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras), realizou na tarde desta terça-feira (18), no Centro de Convivência da Criança e do Adolescente (CCCA), uma programação especial em alusão ao Agosto Lilás.

A iniciativa reuniu representantes do poder público, Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, profissionais da assistência social, professores, alunos da rede municipal de ensino e sociedade civil para fortalecer a informação, a prevenção e os mecanismos de proteção às mulheres vítimas de violência no município.

Participaram da programação o prefeito Jailson Alves; a vice-prefeita Suely Araújo; a primeira-dama e secretária municipal de Trabalho e Assistência Social, Dheimisy Daniele Alves; o procurador-chefe da Procuradoria Geral Municipal, Dr. Raimundo Francisco Moura; a promotora de Justiça da 6ª Promotoria de Justiça de Santarém, Dra. Silvana Vaz de Sousa; o delegado da Polícia Civil de Mojuí dos Campos, Lucivelton dos Santos; o comandante do 6º Pelotão de Destacamento da Polícia Militar, Subtenente PM Alexandro; a delegada da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), Márcia Rabelo; e a Cb PM Mafra, da Patrulha Maria da Penha do 35º Batalhão de Polícia Militar (35º BPM).

Conhecimento para prevenir e proteger

À frente da Semtras, Dheimisy Alves destacou que a informação é uma das principais ferramentas para combater a violência contra a mulher. Segundo ela, conhecer os diferentes tipos de violência ajuda a vítima a identificar o que está acontecendo e saber onde buscar ajuda.

“A melhor arma é o conhecimento.”

A secretária explicou ainda que os órgãos da Prefeitura contam com profissionais preparados para realizar acolhimento, escuta e encaminhamento das mulheres que procurarem atendimento.

Para Dheimisy, a participação dos diferentes integrantes da rede de proteção foi fundamental para que a população pudesse compreender o papel de cada instituição e saber a quem recorrer diante de uma situação de violência.

Identificar a violência é o primeiro passo

A promotora de Justiça Dra. Silvana Vaz de Sousa reforçou que o primeiro passo é reconhecer a situação de violência, que pode ser física, moral, patrimonial ou sexual.

Ela também orientou que mulheres que precisam de informação ou ajuda podem procurar o Disque 180, canal que oferece orientações, informações e encaminhamentos, além de possibilitar o acesso aos caminhos de proteção disponíveis.

Em Mojuí dos Campos, a Delegacia de Polícia Civil é uma das portas de entrada para o atendimento. A vítima pode registrar a ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência. Também existem alternativas de atendimento virtual oferecidas pela Polícia Civil do Pará.

A promotora chamou atenção ainda para um aspecto importante: a decisão de deixar um relacionamento abusivo pode representar um momento de risco para a vítima. Por isso, buscar orientação e construir uma estratégia de saída segura pode ser fundamental.

A mensagem deixada por Silvana foi direta e humanizada:

“Você é importante. Você não está sozinha.”

Ela orientou as mulheres a procurarem sua rede de apoio, familiares, amigos e os serviços que integram a rede de proteção, como CREAS, CRAS, unidades de saúde e escolas.

Sala Lilás pode ampliar atendimento em Mojuí

Durante a programação, a delegada Márcia Rabelo, da DEAM, destacou a importância da integração entre as forças de segurança e revelou uma proposta para ampliar o atendimento especializado às mulheres de Mojuí dos Campos.

A ideia é criar uma Sala Lilás no município e estabelecer uma rotina de atendimento periódico, com a presença de profissionais da Delegacia da Mulher para orientar vítimas, realizar acolhimentos e auxiliar nos procedimentos policiais em parceria com a equipe local.

A proposta busca aproximar o atendimento especializado das mulheres e fortalecer a atuação conjunta da Polícia Civil com a rede municipal de proteção.

A delegada também alertou para a gravidade do feminicídio. Segundo ela, Santarém registrou três mortes de mulheres por feminicídio em um intervalo de apenas 20 dias neste ano, cenário que contribuiu para o funcionamento da Delegacia da Mulher em regime de 24 horas.

Márcia Rabelo também lembrou o caso de uma mulher de Mojuí dos Campos vítima de tentativa de feminicídio, que permaneceu internada no Hospital Regional enquanto lutava pela vida e as providências policiais eram tomadas.

Para a delegada, o enfrentamento exige união entre os municípios e as instituições.

“Não se cale. O silêncio mata.”

Patrulha Maria da Penha reforça prevenção

A prevenção também foi destacada pela Cb PM Mafra, da Patrulha Maria da Penha do 35º BPM. O policiamento especializado acompanha mulheres vítimas de violência doméstica, oferecendo orientação e buscando evitar novas agressões.

Segundo a policial, o trabalho precisa alcançar também os homens. Além do atendimento às vítimas, ações educativas podem ajudar agressores a compreender a gravidade da violência e buscar apoio para mudar comportamentos.

“O homem não nasce agressor, ele se torna agressor.”

A declaração reforça uma das principais mensagens da programação: combater a violência não significa apenas agir depois que uma agressão acontece, mas também trabalhar a prevenção para impedir que novos casos sejam registrados.

Uma rede de proteção mais próxima da população

A programação do Agosto Lilás mostrou que o enfrentamento à violência contra a mulher depende da atuação conjunta de diferentes setores. Quando a assistência social acolhe, a Polícia Civil investiga, a Polícia Militar protege, o Ministério Público orienta e a sociedade se informa, a vítima encontra mais caminhos para romper o ciclo da violência.

Em Mojuí dos Campos, a mobilização também teve um papel educativo ao reunir estudantes, professores e representantes da sociedade civil. Levar esse debate para espaços de convivência e formação significa contribuir para que novas gerações compreendam que respeito, igualdade e proteção são responsabilidades de todos.

O Agosto Lilás termina no calendário, mas a necessidade de proteger mulheres permanece todos os dias.

Porque por trás de cada denúncia existe uma história, uma família e, muitas vezes, uma mulher tentando encontrar coragem para recomeçar. Ouvir, acolher, orientar e proteger pode ser o primeiro passo para que ela perceba que não está sozinha.

Fotos: Burlamaqui/Estado do Pará News.
Texto e editor: Elivaldo Pinto.

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