A formação é um passo estratégico para consolidar a comunidade no roteiro do turismo
responsável em Óbidos (PA), permitindo que os próprios moradores liderem a gestão de suas riquezas naturais e culturais de forma sustentável.
Aproximadamente 20 moradores da comunidade Jamaracaru, localizada na Floresta Estadual (Flota) do Trombetas, em Óbidos, no Pará, participaram de uma oficina dedicada ao fortalecimento do Turismo de Base Comunitária (TBC). A iniciativa integra o Projeto Jamaracaru Raízes e Sabores de Resiliência, ação que busca unir geração de renda, valorização da cultura local e conservação socioambiental no território.

Ao longo de três dias de programação, os participantes realizaram atividades teóricas e práticas voltadas ao planejamento e à estruturação do turismo local. O treinamento incluiu diagnósticos participativos, planejamento coletivo e uma oficina prática focada na culinária tradicional da região.
“O curso é fruto do projeto junto ao Fundo Lira e parceiros e aqui a gente falou das comidas tradicionais da região, mapeamento do potencial turístico e da legislação ambiental. A gente pode ver que a maioria dos pratos tem como ingredientes a castanha, que é coletada aqui mesmo na Unidade de Conservação, são pratos doces, salgados”, enfatizou Raquel Silva, gestora do projeto.
Mapeamento dos atrativos turísticos e legislação ambiental
No segundo dia de atividades, a programação concentrou-se na coleta de dados e no mapeamento colaborativo das principais riquezas naturais da região. Entre os destaques estão as trilhas ecológicas, os igarapés e a Cachoeira de Jamaracaru, conhecida por sua vazão de águas claras cercada por formações rochosas e vegetação nativa. Além disso, o aspecto regulatório e de conservação esteve no centro dos debates.

“Nós tivemos um trabalho de mapeamento participativo da Flota Trombetas, falamos sobre as áreas protegidas, muitas vezes os extrativistas acessam estas áreas, porém eles não possuem conhecimento sobre o que pode, o que não pode, o que diz a legislação, quais são seus direitos, deveres e foi isso que buscamos aprofundar”, declarou o mestre em Áreas Protegidas Edwilson Pordeus.
Geração de renda e valorização do extrativismo na Flota Trombetas
A iniciativa do TBC em Jamaracaru é conduzida pela Associação dos Moradores da Comunidade de Jamaracaru e Região (ACAJE), com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Forestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio). A proposta segue o modelo bem-sucedido já aplicado na Flota de Faro, expandindo o desenvolvimento do turismo responsável na norte paraense.
“Essa é uma atividade que o Ideflor-bio já desenvolve junto à comunidade lá na Flota de Faro, e estamos trabalhando aqui na Flota Trombetas como mais uma oportunidade de geração de emprego e renda é muito importante. Essa comunidade sobrevive da extração da castanha, do cumaru e tem o potencial de visitação da cachoeira de Jamaracaru, na observação de espécies nativas da fauna e flora”, complementou Ronaldisson Farias, gestor da Flota Trombetas.
Protagonismo comunitário e preparação para o turismo
No Turismo de Base Comunitária, os moradores locais deixam de ser meros espectadores para assumir o protagonismo da própria história. Ao gerir os serviços de recepção e guiamento a partir de sua rotina e costumes, a população resgata saberes ancestrais, fortalece a identidade cultural e toma decisões estratégicas sobre o uso sustentável do seu território.
“Foram três dias de aprendizado que nós vamos levar para a vida, aqui a gente aprendeu sobre o que é o turismo de base comunitária, nós trabalhamos a proposta do cardápio a partir do diagnóstico participativo então a gente falou sobre a nossa culinária, os atrativos, fizemos o mapeamento dos roteiros turísticos. Hoje eu posso dizer que a comunidade está preparada para receber os turistas”, finalizou Rosalba Sampaio, extrativista e condutora de trilhas.

Fotos: Divulgação
Texto e edição: Martha Costa/Acaje
