O projeto Portal do Conhecimento concluiu as atividades nas escolas de Santarém na quinta-feira (14). A iniciativa, que é uma ação da Imprensa Oficial do Estado (Ioepa), tem levado escritores para um encontro com o público no ambiente escolar, durante eventos no Pará e na Festa Literária de Santarém. Após passar pelas escolas Wilson Fonseca e Álvaro Adolfo, a caravana esteve na quinta no colégio Aluízio Martins, no bairro Maracanã, com a presença da historiadora e escritora Terezinha Amorim.
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Durante pouco mais de uma hora de conversa, Terezinha Amorim relembrou momentos marcantes da história de Santarém e do Pará. Contou detalhes da ocupação portuguesa na Amazônia desde a fundação de Belém e a expedição de Pedro Teixeira, até a chegada do padre jesuíta João Felipe Bettendorff ao rio Tapajós, o que daria origem à cidade de Santarém.
Terezinha ressaltou o quanto logradouros públicos de Santarém guardam partes da memória e história da cidade. Citou o exemplo da praça Rodrigues dos Santos, que um dia foi parte da aldeia dos índios Tupaiús; além da Barão de Santarém, onde localiza-se o Centro Cultural João Fona. O prédio, que é um dos mais antigos da cidade, já foi prefeitura e cadeia pública. “As pessoas passam por lugares como ruas e praças e muitas vezes não sabem que ali ocorreu um fato histórico. Cada canto da cidade reserva uma curiosidade, uma informação de relevância para a nossa memória”, observou a escritora.
A historiadora destacou ainda a importância da Cabanagem, revolta ocorrida entre os anos de 1835 a 1840, em que os paraenses desafiaram o poder do império instalando uma república, que contou com três presidentes: Clemente Malcher, Pedro Vinagre e Eduardo Angelim. O episódio teve desdobramentos no Baixo Amazonas, como a tomada de Santarém pelos cabanos em 1836 e o exemplo de bravura e resistência em Ecuipiranga, sendo este o último reduto cabano. “Não há outro episódio da nossa história que nos encha mais de orgulho do que a Cabanagem”, conclui Terezinha.
Terezinha Amorim – Ícone da historiografia local, a escritora é presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP). Autora de obras como “Santarém: uma síntese histórica” e “Santarém: sua história e suas belezas”, Terezinha é defensora do patrimônio histórico edificado e se dedica a catalogar e preservar os casarões do centro da cidade.
Final – Após percorrer três escolas em três bairros diferentes, o Portal do Conhecimento encerra suas atividades em Santarém. De acordo com a coordenadora Ellana Silva, o resultado foi muito positivo.
“A experiência foi maravilhosa. Acredito que o projeto cumpriu seu objetivo que é trabalhar com essa diversidade e a própria Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes vem fazendo isso. Sendo esse espaço destinado para ouvir também à mulher: termos a presença de uma pesquisadora que tem se dedicado à historiografia local é uma grande honra para o projeto e gostamos dessa vivência durante essas atividades”, ressaltou Ellana.
Fonte: Agência Pará
