Vistoria na usina de Curuá-Una busca dimensionar os impactos da seca e subsidiar ações emergenciais para garantir abastecimento e reduzir os efeitos sobre as famílias.
A estiagem prolongada já afeta aproximadamente 3,1 mil pessoas em comunidades rurais de Mojuí dos Campos, no oeste do Pará. Diante da redução dos níveis dos rios, nascentes e poços, a Prefeitura intensificou o monitoramento da situação e realizou, nesta quarta-feira (14), uma vistoria técnica na Usina Hidrelétrica de Curuá-Una para avaliar os impactos da seca e planejar medidas emergenciais de resposta.

A ação foi realizada por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC), com o objetivo de acompanhar de perto a situação hídrica e reunir informações que possam orientar as próximas decisões do município.
Entre os pontos avaliados estão o recuo do nível da água e a estimativa de autonomia do reservatório caso a ausência de chuvas persista na região. As equipes também realizaram coleta de água para análise de parâmetros físicos e biológicos, considerando que a redução do volume hídrico pode favorecer a concentração de poluentes, diminuir os níveis de oxigênio e provocar impactos sobre a vida aquática.

Comunidades enfrentam dificuldades com a falta de água
Os efeitos da estiagem são sentidos principalmente por famílias que dependem diretamente dos recursos naturais para a pesca, criação de animais, produção e outras atividades de subsistência.
Entre as comunidades apontadas como afetadas estão Bananeira, Santa Maria do Aru, Xavier, Tambor, Sempre Verde, Puraquê da Ponte, Vista Alegre do Moju, Santa Terezinha, Pau Rosa, Fumaça, Babaçu, Castanheira, Porto Luiz de Sousa, Jambeiro, Porto Alegre, Água Branca, São Francisco do Puraquê, Raizame, Novo Progresso e Riacho Verde.

Com a redução dos recursos hídricos, as dificuldades ultrapassam a questão ambiental e atingem diretamente o cotidiano das famílias. A falta de água interfere na saúde, alimentação, criação de animais, trabalho e acesso à educação.
Para parte dos moradores, conseguir água potável já se tornou uma tarefa diária. Com o enfraquecimento de nascentes e a diminuição do nível dos poços artesianos, algumas famílias precisam percorrer distâncias maiores em busca de fontes alternativas de abastecimento.

Dados vão orientar ações emergenciais
As informações levantadas durante a vistoria serão utilizadas para elaborar um diagnóstico técnico da situação e auxiliar o município na adoção de medidas de resposta.
Caso os impactos provocados pela estiagem ultrapassem a capacidade de atendimento regular do município, o relatório técnico poderá subsidiar a adoção de medidas administrativas, incluindo a possibilidade de reconhecimento formal da situação e eventual decretação de situação de emergência, conforme os critérios legais.
Esse procedimento também poderá facilitar a busca por apoio e recursos junto aos governos estadual e federal para ações de mitigação dos efeitos da estiagem e atendimento às comunidades atingidas.
A situação reforça a necessidade de acompanhamento permanente dos níveis de água e de planejamento para garantir o abastecimento das famílias enquanto persistir o período de estiagem.

Fotos: Divulgação
Texto e edição: Elivaldo Pinto
