O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desmontou uma grande estrutura de apoio ao garimpo ilegal nos rios Teles Pires e São Benedito, na divisa entre os estados do Mato Grosso e do Pará. A operação, realizada na quarta-feira (29), resultou na apreensão de dezenas de equipamentos utilizados na extração clandestina de ouro dentro da Terra Indígena Kayabi.

Durante a ação, os agentes ambientais apreenderam 18 balsas escariantes — usadas para dragagem do leito do rio —, 36 motores de grande porte, 15 embarcações com motor de popa, três rebocadores e cerca de 20 mil litros de combustível, além de 1,3 kg de mercúrio. O prejuízo estimado aos garimpeiros ultrapassa R$ 36 milhões, segundo o Ibama.

Os fiscais também desmantelaram um acampamento logístico que servia de base de apoio para o fornecimento de estrutura e suprimentos aos infratores. Parte dos equipamentos foi inutilizada no local, conforme prevê a legislação ambiental, para impedir a retomada das atividades ilegais.

A operação foi conduzida pelo Ibama em articulação com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Mato Grosso (Bope-MT). De acordo com o órgão ambiental, a ação conjunta foi fundamental para remover uma estrutura de degradação em escala industrial, garantindo a proteção dos rios e dos direitos do povo Kayabi.

Impactos ambientais

As balsas escariantes, usadas intensivamente no rio Teles Pires, causam graves impactos ambientais. O processo de dragagem revolve o fundo do rio, destruindo habitats aquáticos e liberando grandes quantidades de sedimentos, o que aumenta a turbidez da água e prejudica a vida dos peixes.

Para a comunidade Kayabi, que depende ancestralmente do rio para a pesca e o abastecimento, os danos são diretos. A contaminação por mercúrio — metal altamente tóxico apreendido durante a operação — compromete a segurança alimentar e a saúde das famílias indígenas, que já enfrentam pressões constantes do avanço do garimpo na região.

Responsabilização dos envolvidos

Além das sanções administrativas, o Ibama informou que encaminhará um relatório de fiscalização ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF), para responsabilização cível e criminal dos envolvidos nas atividades ilegais.

A ação reforça o compromisso do órgão ambiental com o combate ao garimpo ilegal e com a proteção dos territórios indígenas da Amazônia.

Foto: Divulgação / Ibama

Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Ibama