O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tem avançado no uso de tecnologia para a conservação da fauna silvestre ao implementar o monitoramento por satélite de tartarugas amazônicas, no âmbito do Programa Quelônios da Amazônia (PQA). A iniciativa está em fase piloto no rio Tapajós e já permite identificar padrões de migração, fidelidade às áreas de reprodução e regiões estratégicas para a proteção da espécie.
Criado em 1979, o Programa Quelônios da Amazônia é uma das políticas públicas ambientais mais antigas do país voltadas à conservação de quelônios de água doce na Amazônia Legal e na bacia Araguaia–Tocantins. Ao longo de mais de quatro décadas, o programa consolidou ações como a proteção de praias de desova, manejo de ninhos, soltura orientada de filhotes e o envolvimento de comunidades ribeirinhas, aliando preservação ambiental e inclusão social.
Monitoramento por satélite
O monitoramento via satélite passou a integrar as ações do PQA como uma ferramenta inovadora de pesquisa, com o objetivo de responder questões ainda pouco conhecidas sobre a ecologia das tartarugas amazônicas.
Desde novembro de 2024, o Ibama acompanha 17 fêmeas equipadas com transmissores via satélite. Os animais foram capturados no Tabuleiro do Monte Cristo, no rio Tapajós, logo após o período de nidificação. Após a fixação do equipamento no casco, as tartarugas foram devolvidas imediatamente ao ambiente natural.
Em 2025, o projeto foi ampliado com a inclusão de mais 15 fêmeas e quatro machos, fortalecendo a base de dados e possibilitando análises mais detalhadas sobre o comportamento da espécie.
Resultados iniciais
Mesmo com pouco mais de um ano de monitoramento, os dados já revelam informações relevantes para a conservação. Um dos principais achados foi a fidelidade das fêmeas às áreas reprodutivas, com retorno às mesmas regiões no ciclo seguinte.
O acompanhamento também começou a esclarecer a rota migratória da espécie no rio Tapajós, até então pouco conhecida. Parte das fêmeas realizou migrações curtas, permanecendo próximas ao Tabuleiro do Monte Cristo, com deslocamentos de até 25 quilômetros. Outras, no entanto, percorreram distâncias superiores a 100 quilômetros, chegando a sair do rio Tapajós e alcançar o rio Amazonas. As causas dessas diferenças de comportamento ainda estão em estudo.
Apoio à gestão e fiscalização
Além de ampliar o conhecimento científico, o monitoramento por satélite tem aplicação direta na gestão ambiental e nas ações de fiscalização do Ibama. A identificação de áreas de alimentação utilizadas fora do período reprodutivo permite o planejamento de estratégias mais eficazes de proteção.
O cruzamento dessas informações com registros de captura ilegal possibilita direcionar operações de fiscalização para regiões sensíveis, fortalecendo o combate a crimes ambientais e contribuindo para a preservação da espécie.
Projeto piloto
O uso de transmissores via satélite no Programa Quelônios da Amazônia é um projeto piloto, cujo objetivo é aprofundar o conhecimento sobre a espécie-símbolo do programa. A expectativa é que os resultados subsidiem o aprimoramento das estratégias de conservação e possam ser ampliados para outras áreas no futuro.
“O objetivo é que o monitoramento via satélite seja expandido para todos os estados em que o PQA atua, permitindo a obtenção de dados qualificados para o planejamento das ações de conservação dos quelônios aquáticos amazônicos. É a tecnologia a serviço da conservação desses indivíduos e de todo o ecossistema com o qual eles se relacionam”, afirmou a coordenadora nacional do PQA no Ibama, Edelin Ribas.
Ao integrar ciência, tecnologia e políticas públicas, o Ibama reforça o papel do Programa Quelônios da Amazônia como iniciativa estratégica para a conservação da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais na região amazônica.

Filhotes de tartarugas em área de reprodução monitorada pelo Projeto Quelônios da Amazônia, do Ibama. (Foto: Divulgação – Ibama)
Foto: Divulgação/Ibama
Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Ibama
