Uma das vítimas da queda do avião em Manicoré, no interior do Amazonas, foi identificada como Breno Braga Leite, de 27 anos. Ao g1, familiares confirmaram que o homem trabalhava como operador de retroescavadeira em garimpos na Amazônia e compartilhava a rotina profissional em uma página nas redes sociais.

Breno era o único passageiro do avião, de matrícula PT-JCZ, cujo os destroços foram encontrados em uma região de floresta no município do interior do Amazonas, na quarta-feira (25), após cinco dias de buscas. A outra vítima é o piloto da aeronave, identificado como Rodrigo Boer Machado.

O passageiro era natural de Tucumã, no sudeste do Pará, mas residia em Itaituba, sudoeste do Pará. Ele deixa um filho de nove anos de idade.

Segundo a irmã da vítima, devido a profissão como operador de máquinas pesadas em garimpo, Breno viajava por muitas cidades e até outros países. Nas semanas que antecederam o acidente ele estaria trabalhando em um garimpo no território da Amazônia pertencente a Guiana Francesa.

Nas redes socias, Breno mantinha uma página chamadas ‘Braga Escavadeira’ onde compartilhava a rotina como operador de máquinas, além de publicar vídeos com reflexões, fotos e músicas, para quase 8 mil seguidores. Os perfis, no entanto, foram fechados recentemente.

Ana Carla é prima de Breno e relatou ao g1 que o familiar tinha planos de buscar o filho, que estava com a mãe, para passar uma temporada com ele em fevereiro. Ela também reforça que Breno era emotivo e apaixonado pela profissão.

“Ele era um menino alegre e sorridente. Onde chegava ele fazia amizades. Era difícil ele ficar uma semana sem mandar mensagem. É um menino abençoado, lutador e trabalhador que realizou seu sonho que era trabalhar com máquinas pesadas. Digo que ele era um homem emocional”, contou a prima.

No ano de 2022, Breno foi vítima de um crime no interior do Pará. Golpistas usaram uma foto dele para anunciar falsas vendas de carro na cidade. O crime foi descoberto após fotos do operador de máquinas circularem nas redes sociais. Um Boletim de Ocorrência (B.O) foi registrado em 7 de janeiro daquele ano, na 19ª Seccional de Polícia Civil de Itaituba.

Após os processos de reconhecimento em Manicoré, o corpo deve ser transferido para Itaituba onde será velado pela família.

O caso

A Força Aérea Brasileira (FAB), esclareceu que o avião não tinha plano de voo registrado e não foi detectado pelos radares. O último sinal do GPS Garmin do piloto indicou uma posição ao sudeste de Manicoré.

Ainda segundo a FAB, o resultado final da investigação será divulgado no Painel SIPAER, disponível no site do CENIPA. Ainda não há informações sobre as causas do acidente, nem sobre as circunstâncias que envolviam o piloto e o passageiro da aeronave.

Na sexta-feira, uma das moradoras da comunidade próxima onde os destroços foram encontrados contou à Prefeitura de Manicoré que, por volta das 8h, ouviu um barulho estranho vindo da aeronave que sobrevoava o local. Segundos depois, ela relata ter escutado um forte estrondo.

“A gente estava tomando café, o avião vinha com uma ‘zoada’ estranha e esse avião saiu passando. Eu falei para o meu marido: ‘olha esse avião, parece que está falhando’. Eu fui olhar e, quando levantei da mesa, só ouvimos o estrondo”, relatou a moradora, identificada apenas como Raimunda.

Fonte: G1 Amazonas

Foto: Divulgação/Familiares