Baixo nível do rio e acúmulo de lama e areia impedem a navegação, prejudicam o transporte escolar e dificultam o acesso a medicamentos e serviços de saúde

A seca severa na foz do Rio Amazonas, no canal do Bailique, em Macapá, no Amapá, tem provocado o isolamento de mais de 10 comunidades da região. O baixo nível das águas e o acúmulo de lama e areia no leito do rio dificultam a navegação e comprometem serviços essenciais, como transporte escolar, atendimento de saúde e chegada de medicamentos.

Moradores relatam que o cenário se agravou nas últimas semanas. Em alguns trechos, o leito do rio ficou praticamente exposto, formando extensas áreas de lama e areia que impedem a passagem de pequenas embarcações.

O morador da Vila Equador, Jacinto Carvalho Sarges, registrou a situação e relatou as dificuldades enfrentadas pela população.

“Da margem do Bailique hoje está dessa forma aqui, olha: tudo praia, seco. Não tem como navegar”, relatou.

Segundo Jacinto, pequenas embarcações ficam atoladas e precisam aguardar a elevação da maré para conseguir atravessar os trechos mais críticos.

“Olha aqui rabetas esperando por uma solução. Que a água pelo menos cresça quatro dedos em cima dessa terra para poder passar, porque a gente mora muito longe”, afirmou.

Moradores cobram nova dragagem

De acordo com o morador, o acúmulo de sedimentos se intensificou na porção norte do arquipélago. Ele lembra que uma obra de escavação foi realizada no ano passado, mas o resultado não durou.

“Foi feito no ano passado um trabalho de escavação que até ficou legal, mas, seis meses depois que a máquina foi embora, hoje voltou tudo novamente”, afirmou.

Diante do agravamento da situação, os moradores pedem o retorno das máquinas para a realização de um novo trabalho de dragagem no canal.

Educação e saúde são afetadas

Um dos principais impactos está na educação. O transporte escolar foi interrompido em algumas áreas devido às condições de navegação.

Na Vila Filadélfia, onde funciona a única escola de ensino médio daquela região, estudantes enfrentam dificuldades para chegar às aulas por causa do baixo nível do rio.

“Se puder voltar essa máquina para refazer o trabalho de escavação, a gente fica muito grato. Estamos passando por muita dificuldade na educação”, disse Jacinto.

A seca também afeta o atendimento de saúde. Segundo os moradores, a entrega de medicamentos foi interrompida em algumas comunidades. Pessoas que precisam caminhar pela lama para alcançar os barcos de linha ainda enfrentam riscos de acidentes, inclusive com arraias.

O acúmulo de sedimentos se estende, segundo os relatos, desde a comunidade de Livramento até a região de Açaituba São Pedro, comprometendo a passagem de embarcações em diversos pontos.

Governo acompanha a situação

Em nota, a Secretaria de Estado de Transportes do Amapá (Setrap) informou que está analisando dados para dimensionar a extensão do problema e definir as medidas que poderão ser adotadas.

Segundo o órgão, um técnico foi enviado ao local para realizar uma vistoria e elaborar um parecer sobre as condições encontradas na região.

Enquanto aguardam uma solução, moradores das comunidades do Bailique convivem com as consequências da estiagem e cobram medidas que possam garantir novamente a navegação e o acesso a serviços essenciais.

Fotos: Reprodução
Com informações do G1 Amapá

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