A Executiva Nacional do União Brasil decidiu, nesta segunda-feira (8), expulsar o ministro do Turismo, Celso Sabino. A deliberação ocorreu após reunião que analisou o parecer do Conselho de Ética do partido. No fim de novembro, o colegiado recomendou a expulsão do ministro, a dissolução do diretório do Pará — então presidido por Sabino — e a nomeação de uma comissão provisória para reorganizar o núcleo estadual.

A decisão foi oficializada com o apoio de 3/5 dos membros da Executiva, segundo o relator do processo, deputado Fabio Schiochet (União Brasil-SC). Além da expulsão, Sabino teve sua filiação partidária cancelada.

Motivos da expulsão

A representação contra o ministro teve início no fim de setembro. O diretório paraense acusou Sabino de descumprir orientações internas após o partido exigir que todos os filiados deixassem seus cargos no governo Lula (PT). A determinação dava prazo de 24 horas para a saída dos postos e previa punição por infidelidade partidária em caso de descumprimento.

Sabino chegou a ser suspenso por dois meses, deixando automaticamente a presidência do diretório do Pará — posição que lhe permitia indicar aliados e gerir recursos do fundo partidário. O ministro, porém, resistiu à pressão. Ele chegou a entregar uma carta de demissão ao presidente Lula, mas recuou e anunciou à Executiva Nacional que permaneceria no cargo.

Aliados afirmam que Sabino pretendia estender a permanência no governo até o início de 2025, quando a desincompatibilização seria necessária caso desejasse disputar novo cargo. O ministro já articula sua candidatura ao Senado em 2026 e conta, inclusive, com sinalização de apoio de Lula, ainda que não esteja alinhado ao governador Helder Barbalho (MDB), aliado do presidente.

Ruptura com o governo Lula

A crise entre o União Brasil e o governo se intensificou durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal), ocasião em que a Federação PP-União Brasil anunciou o desembarque da base governista. A decisão também envolveu o ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA).

No entanto, diferentemente do caso de Sabino, o PP não pressionou Fufuca a deixar o cargo. Com maior margem de tolerância, o ministro segue à frente da pasta e continua executando projetos estratégicos para o governo, como a criação da Universidade Federal do Esporte (UFEsporte).

Em movimentos recentes, Fufuca tem sinalizado proximidade com o presidente Lula, chegando inclusive a declarar apoio ao petista para as eleições de 2026 durante um evento no Maranhão, ignorando a postura oposicionista de seu partido.

Foto: Roberto Castro/Mtur
Com informações do UOL