Desbarrancamentos às margens de um paraná já destruíram áreas próximas às casas e obrigaram moradores a retirar residências; segundo relatos, Defesa Civil ainda não havia chegado à Vila Barbosa até o fechamento da reportagem.

CURUÁ, PA — O avanço do fenômeno conhecido na Amazônia como “terra caída” voltou a assustar moradores da comunidade Vila Barbosa, no município de Curuá, no oeste do Pará. Na tarde deste sábado (29), novos desbarrancamentos foram registrados às margens de um paraná, termo utilizado na região para identificar um braço do Rio Amazonas.

A força da erosão provocou o desmoronamento de trechos das margens e aumentou a preocupação entre as mais de 300 famílias que vivem na comunidade. Segundo relatos de moradores, três casas já haviam sido retiradas anteriormente de áreas consideradas de risco.

Durante a noite, moradores permaneceram de plantão, apreensivos diante da possibilidade de novos deslizamentos. O temor é que o avanço das terras caídas atinja outras residências e deixe ainda mais famílias desabrigadas.

Moradores cobram presença do poder público

Segundo relato do professor Pelé, até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura Municipal de Curuá, por meio da Coordenação Municipal da Defesa Civil, ainda não havia comparecido à comunidade Vila Barbosa para realizar uma avaliação da situação e adotar providências de assistência às famílias atingidas.

A ausência de uma avaliação oficial, diante de um cenário que envolve risco à segurança dos moradores e perdas materiais, tem provocado indignação na comunidade.

Enquanto aguardam uma resposta do poder público, moradores de comunidades próximas começaram a se organizar para prestar auxílio às famílias afetadas.

A mobilização demonstra a força da solidariedade entre as comunidades amazônicas. Pessoas que também conhecem as dificuldades enfrentadas por quem vive às margens dos rios estão se unindo para ajudar aqueles que, neste momento, enfrentam uma situação ainda mais delicada.

Comunidade se une para retirar casa

Ainda de acordo com o professor Pelé, aproximadamente 30 pessoas se reuniram no sábado (29) para ajudar na retirada de uma residência que estava em uma área ameaçada pelo avanço das terras caídas.

Com esforço coletivo, a casa foi removida para outro local, mais distante das margens do paraná.

A cena, registrada em vídeo e compartilhada nas redes sociais, mostra moradores trabalhando juntos para tentar preservar o patrimônio de uma família diante do avanço do fenômeno natural.

O episódio também revela o tamanho da preocupação existente na comunidade: ninguém sabe qual será a próxima residência atingida.

Até quando os moradores terão que agir sozinhos?

O fenômeno da “terra caída” faz parte da dinâmica natural das margens dos rios amazônicos, mas, para quem vive nesses locais, seus efeitos representam muito mais do que um fenômeno da natureza.

É a possibilidade de perder a casa, o patrimônio construído ao longo de anos e, principalmente, a segurança da própria família.

Na Vila Barbosa, enquanto moradores se organizam para retirar casas ameaçadas e comunidades vizinhas se mobilizam para oferecer ajuda, permanece uma pergunta que precisa ser respondida pelo poder público: quem vai assumir a responsabilidade pela proteção e pela assistência às mais de 300 famílias que vivem sob essa ameaça?

A solidariedade dos moradores é fundamental e merece ser reconhecida. Mas ela não pode substituir a responsabilidade do poder público.

Diante da gravidade da situação, é necessária uma avaliação técnica imediata, identificação das áreas de risco e definição de medidas de assistência e proteção às famílias atingidas.

Enquanto isso não acontece, a comunidade Vila Barbosa permanece em alerta, olhando para o avanço das margens e convivendo com o medo de que a próxima “terra caída” leve mais do que alguns metros de barranco: leve o lugar onde uma família chama de lar.

Vídeos: Divulgação/Redes Sociais
Texto e edição: Elivaldo Pinto
Estado do Pará News — Notícia com Qualidade

Deixe uma resposta