O barulho excessivo provocado por motocicletas com escapamentos adulterados vem ganhando cada vez mais espaço entre as reclamações de moradores de Mojuí dos Campos, no oeste do Pará. O ruído provocado por equipamentos modificados, além de comprometer o sossego público, preocupa autoridades pelos impactos que pode causar especialmente em pessoas mais vulneráveis, como idosos, pacientes em recuperação e pessoas hospitalizadas.
Diante desse cenário, os órgãos de segurança e fiscalização do município mantêm ações integradas para combater a circulação de motocicletas com descargas irregulares e identificar outras infrações de trânsito.

O delegado titular da Polícia Civil de Mojuí dos Campos, Dr. Lucivelton Santos, explica que o trabalho vem sendo realizado de forma integrada entre a Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA) e Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMMT).
Fiscalização contra o barulho excessivo
Segundo o delegado, as ações têm como um dos principais objetivos retirar de circulação equipamentos que provocam ruídos excessivos e garantir que os veículos estejam dentro das exigências legais.
“Com objetivo de combater o barulho que muitas motocicletas fazem devido não estar usando o equipamento original e sim uma descarga adulterada, então a SEMMA, a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito estamos empenhados em combater esse tipo de crime. Nós não vamos aceitar essa situação, vamos realmente combater, porque esse tipo de barulho perturba a população.”
Lucivelton Santos também destaca que o problema não se limita ao incômodo provocado nas ruas. Segundo ele, pessoas com maior sensibilidade a ruídos também podem ser afetadas pelo excesso de barulho.
O delegado lembra ainda que as ações de fiscalização já resultaram na retirada de dezenas de escapamentos irregulares de circulação.

Cerca de 80 escapamentos destruídos
De acordo com o delegado, somente no mês de maio, aproximadamente 80 escapamentos irregulares de motocicletas apreendidos durante as ações de fiscalização foram destruídos, como parte das medidas adotadas pelos órgãos envolvidos.
“A ação vai continuar. Nós já percebemos que tem algumas motocicletas na cidade com esse tipo de descarga, fazendo barulho. Então nós vamos coibir.”
A fiscalização, segundo ele, também tem identificado outras irregularidades. Entre elas estão motocicletas conduzidas por pessoas não habilitadas, veículos sem documentação regularizada e equipamentos obrigatórios ausentes, como retrovisores, placas e piscas.
Fiscalização mira outras irregularidades
O delegado afirma que o trabalho não ficará restrito aos escapamentos adulterados. As equipes também estarão atentas às demais situações que colocam em risco a segurança no trânsito.
“Também sabemos que essas pessoas que conduzem essa motocicleta não são habilitadas, essas motocicletas não são legalizadas, estão com documentação atrasada, trafegando na cidade de forma irregular, sem o retrovisor, às vezes até sem a placa, sem pisca. Então nós vamos tentar coibir todo esse tipo de ação que está acontecendo aqui na nossa cidade de Mojuí dos Campos.”
O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que conduzir veículo com descarga livre ou com silenciador defeituoso, deficiente ou inoperante constitui infração grave, sujeita a multa de R$ 195,23, registro de cinco pontos na CNH e retenção do veículo para regularização.
Mais do que uma fiscalização, uma questão de respeito
O debate sobre os escapamentos adulterados vai além da aplicação de multas. Para quem convive diariamente com o barulho excessivo, o problema representa uma interferência direta na rotina e no direito ao sossego.
Um motociclista pode considerar o ruído apenas parte do funcionamento de sua moto ou até uma forma de personalização do veículo. Para quem está em casa descansando, para uma pessoa idosa, para quem enfrenta uma enfermidade ou para um paciente que precisa de tranquilidade para se recuperar, entretanto, aquele mesmo barulho pode representar um transtorno significativo.
Por isso, a orientação das autoridades é simples: use o veículo dentro das normas e respeite quem compartilha a cidade com você.
Mojuí dos Campos precisa de fiscalização, mas também precisa de consciência. O trânsito é um espaço coletivo, e nenhuma preferência individual deve se sobrepor ao direito de milhares de pessoas de viver, trabalhar e descansar com tranquilidade.
Mais do que evitar uma multa, regularizar a motocicleta é uma atitude de respeito. Porque uma cidade mais silenciosa, segura e humana também começa pela responsabilidade de cada condutor.
Fotos: Burlamaqui/Estado do Pará News
Texto e edição: Elivaldo Pinto
