Polícia Federal e Receita Federal cumprem 35 mandados em cinco municípios e bloqueiam cerca de R$ 153 milhões em bens e valores de investigados
Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, colocou no centro das investigações uma estrutura que, segundo os órgãos, teria transformado o furto e a comercialização ilegal do fruto do dendê em uma atividade criminosa de grande dimensão no Pará.
Batizada de Operação Termidor, a ação investiga um grupo suspeito de envolvimento com furto, receptação e comercialização ilícita do dendê, além de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos e valores.
Ao todo, estão sendo cumpridos 9 mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé-Açu, no Pará, além de Indaiatuba, no estado de São Paulo.
As medidas foram autorizadas pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará (SJPA), que também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões em bens e valores dos investigados e a suspensão, por tempo indeterminado, das atividades econômicas de 11 empresas.
Uma cadeia que movimentava cifras bilionárias
Segundo a investigação, grupos empresariais ligados ao esquema teriam movimentado aproximadamente R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos, misturando recursos considerados lícitos e ilícitos dentro da cadeia econômica do dendê.
As apurações começaram a partir de conflitos registrados em municípios paraenses onde a produção de dendê possui forte presença, entre eles Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia.
De acordo com a Polícia Federal, os investigadores identificaram indícios da existência de uma estrutura criminosa armada voltada ao furto, à receptação e à comercialização ilegal do fruto, além da utilização dos recursos obtidos na prática criminosa para lavagem de dinheiro.
A investigação também apura a possível participação de servidores públicos e integrantes de grupo criminoso no esquema.
Patrimônio em nome de terceiros
Além das suspeitas relacionadas ao comércio ilegal do dendê, a operação identificou indícios de irregularidades fiscais e de lavagem de capitais, incluindo a manutenção de patrimônio em nome de terceiros.
Agora, documentos e equipamentos apreendidos durante a operação serão analisados pelas autoridades. As informações obtidas deverão ser cruzadas com dados fiscais e bancários dos investigados para aprofundar a apuração.
O que ainda precisa ser esclarecido
A Operação Termidor revela a dimensão que uma investigação sobre o furto de um produto agrícola pode alcançar quando existem suspeitas de organização criminosa, circulação de grandes valores e ocultação de patrimônio.
Mas as investigações ainda estão em andamento.
Os materiais apreendidos deverão ajudar as autoridades a esclarecer como funcionava a estrutura investigada, quem participava dela e de que forma os recursos circulavam dentro da cadeia do dendê.
Mais do que números, prisões e apreensões, a operação coloca em evidência uma questão que ultrapassa o campo policial: quando uma atividade econômica passa a ser utilizada para esconder recursos de origem ilícita, toda a cadeia produtiva pode sentir os efeitos.
Agora, caberá à investigação reunir as provas e à Justiça analisar a responsabilidade de cada um dos envolvidos.
Foto: Divulgação
Texto e edição: Elivaldo Pinto
